segunda-feira, 9 de julho de 2012

carta aberta - parte II

"Rio de Janeiro, inverno,

Sabe, não escrevo há tanto tempo, meu amigo. Meses, pode botar meses. Não falaria em bloqueio criativo e essas coisas de artista-metido-a-besta. Falaria talvez da inspiração traiçoeira, do receio de olhar para dentro e não enxergar nada, falha coragem. Hoje, porém, meu caro, havia algo que se ver cá dentro. 

Meses, quase ano, talvez, que me pediu um texto sobre ou para ti. Que falasse de ti. Gostaste, recordo-me, achou belas minhas palavras. Foram para tua pessoa, afinal, não podia o resultado diferir. Nunca pôde. 

Nunca pôde a festa dos olhos - qual na canção de Fagner - diferir à tua vista, ainda de longe, cruzando  o lado direito da calçada. Faziam festa digna de orquestra à tua vista, meus olhos. Depois paravam nos teus, como se apertassem as mãos. Hoje, já velhos conhecidos, ainda festejam, meus olhos e os teus, com um abraço e um tapinha nas costas. 

Quantos anos fazem, meu amigo, que nossas vistas fazem-se conhecidas? Alguns, punhado, bote um punhado aí. Dissesse-me alguém, algum espectador de nossos desenlaces, que isso daria nisso, dir-lhe-ia mentir. Pode, vê se pode, casuais caminhos de mesma calçada darem nisso. 

Pode. Escrevo hoje, falo-te e penso-te porque não estás aqui, deves estar ali, donde seja ali. Estás aqui nestas palavras que provocaste, a festa que não há à ausência de tuas vistas. Escrevo, e falo, e divago em demasiado, para guardar que hoje, meu amigo, te desejei feliz donde quer que seus olhos façam festejo. Desejei-te feliz em homenagem, que muito já me o fez. Desejei-te feliz como seja, meu caro, aqui, lá, com estes ou sem estes olhos que vos escrevem.

Desejo-te, meu amigo, a festa que se instala quando minhas vistas alcançam as tuas. Se o posso, que fique aqui o mais sincero desejo de tua prosperidade. Se o posso, o mais sincero desejo de que sejas feliz. Se o posso mais, o mais sincero desejo de ver-te feliz. 

Se o pudesse, o mais sincero desejo de ser, ver e ter-te feliz. 

Sincerely yours."