quarta-feira, 13 de junho de 2012

voltando a casa

Ainda bem que a palavra não tem orgulho, a palavra não bate no peito pelo amor próprio. Se você deixa a palavra lá, definhando de solidão, para meses de desaparecimento, na volta tem festa, tal qual meus cães o fazem a cada chegada. Cá me recebem as palavras de volta. Delas recebo abraços e apertos de mãos, acompanhados do verbete saudades


Explicaria, argumentaria, exporia dezena de desculpas para tal abandono. Não o farei, contudo. Não por falta de respeito a elas, as letras em fila indiana. Não o farei pela certeza da compreensão. Compreender é abrir os braços findada a ausência sem a necessidade de explicações gaguejantes. 


Não prometerei, ainda, jamais repetir a ausência. Coisa dessas não se promete, há de se falhar no cumprimento. Presença se dá do que se tem. Se não está em posse de si mesmo, ora, que há de se falar prometer estar em lugar que seja. Não prometerei juntar as palavras em fila indiana, qual devem estar. 


Prometo seguir retornando, enquanto assim o for. E que o seja, para mim, e para elas.