domingo, 4 de dezembro de 2011

francamente

- O que você acha desse?

- Está ótimo, Márcia. Vamos andando, assim nos atrasamos.

- Não sei, Ricardo. Não quero sobressair à Vânia.
Talvez eu deva vestir o preto. É mais discreto.

- Já chega, vamos embora. É o terceiro vestido que você experimenta.

- Isso é assunto sério, Ricardo. Estou apostando nesse encontro às escuras da Vânia com o Felipe há tempos. Sempre achei que os dois combinavam. E a Vânia anda sozinha de dar dó.

- Está bem. Você não vai sobressair à Vânia, no duro. Agora vamos.

- No duro? O que você quis dizer com isso, Ricardo? Você acha a Vânia mais atraente do que eu? Você acha. Eu sabia. Eu sempre soube, Ricardo.

- Lá vamos nós.

- Desembucha, Ricardo. Há quanto tempo você está de caso com a Vânia?

- Eu não estou de caso com a Vânia, Márcia.

- Se não está, queria estar. Queria, não queria, Ricardo? Confesse.

- Márcia, a Vânia já deve estar nos esperando para buscá-la faz mais de hora. E o coitado do Felipe já deve estar no restaurante. Podemos ir?

- Não muda de assunto, Ricardo.

- Eu não mudei de assunto. Ainda estamos falando da Vânia. Está nos esperando.

- Ricardo, olhe lá. Não estou para piadas.

- Imagino que não. Podemos ir?

- Sabe, a Vânia nunca me enganou. Sirigaita.

- Mas o que é isso, Márcia. É sua amiga.

- Fosse amiga, não estaria de caso com você.

- Agora chega. Não vou mais a restaurante nenhum.

- Não vamos? Mas e a Vânia? Está nos esperando há mais de hora.
 
- A Vânia que tome um táxi. Por mim já chega. Boa noite, Márcia.

- Francamente, Ricardo. Criar confusão à hora de sair de casa, agora veja você. Homens se chateiam por cada coisa, viu...

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