sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

colóquio

parte IX

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- O que você espera, afinal?

- Eu não sei o que eu espero, Fernando. Eu só desconfio.

Eu desconfio que espero que um dia, assim sem mais, enquanto eu estiver no sofá da sala assistindo a algum filme sem nexo causal no Eurochanel, você vai bater à minha porta. Você vai bater à minha porta e dizer que confessa. Que confessa que eu fui seu grande amor, tal qual a canção. E que ainda gosta de petipoá, aquele misto de ervilha com milho em conserva.

- E depois?

- Depois eu não sei. Talvez eu feche a porta volte a assistir ao filme, talvez eu estanque na porta e desande a chorar, talvez a cena corte, insinuando o que vai acontecer em seguida, que não é exibível no horário da tarde. Talvez você nunca venha. Talvez você nunca bata à minha porta. Você nunca visitou minha casa nova, não deve saber o caminho.

- Eu sei o caminho, Julieta.

- Você bateria à minha porta, Fernando?

- Sabe, eu já cheguei perto e dei meia-volta. Você nunca desconfiou. 
  

2 comentários:

  1. A gente nunca desconfia...
    Mas sempre torço pelo final feliz de Julieta e Fernando!

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  2. o final você estará no romance Colóquio, em processo de gestação. hehe.

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