sábado, 26 de novembro de 2011

colóquio

parte VIII 


-- 


- Por quanto tempo? Para sempre?

- Não gosto de para sempre.

- Por que, Julieta?

- Porque para sempre não existe. Por isso jura-se tanto pelo para sempre. Porque a gente sabe que não existe.

- Então não será para sempre.

- Pode ser enquanto nos lembrarmos. Parece-me um bom motivo.

- Está bem. Enquanto nos lembrarmos, onde e com quem estivermos, nos encontraremos lá.

- Você promete, Fernando?

- Prometo.

--

- Que surpresa, Fernando. Não imaginava que você ainda vinha aqui.

- Você me fez gostar, acabei apegando-me ao hábito. Antigos hábitos nunca morrem, não é? 
Já dizia a canção.

- Qual canção?

- Não sei, Julieta. Acho que dos Stones.

- Ah.

Silêncio.

- Você foi, Fernando?

- Fui.

- Sabe, eu também fui. Olhei para você de longe, por um tempo. Você me parecia bem. Fiquei contente. Olhei por mais um tempo e fui embora, depois da terceira música. Não consegui, eu acho.

- Por que nós, Julieta?

- Eu acho que foi nosso tempo verbal, Fernando. Nós fomos o pretérito do futuro. Não há chance para o pretérito do futuro. Já nasce acabado.

- Eu vi que você foi. Acho que também não consegui. Somos covardes, eu acho.  

Um comentário: