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- Por quanto tempo? Para sempre?
- Não gosto de para sempre.
- Por que, Julieta?
- Porque para sempre não existe.
Por isso jura-se tanto pelo para sempre. Porque a gente sabe que não existe.
- Então não será para sempre.
- Pode ser enquanto nos lembrarmos. Parece-me um bom motivo.
- Está bem. Enquanto nos
lembrarmos, onde e com quem estivermos, nos encontraremos lá.
- Você promete, Fernando?
- Prometo.
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- Que surpresa, Fernando. Não
imaginava que você ainda vinha aqui.
- Você me fez gostar, acabei
apegando-me ao hábito. Antigos hábitos nunca morrem, não é?
Já dizia a canção.
- Qual canção?
- Não sei, Julieta. Acho que dos
Stones.
- Ah.
Silêncio.
- Você foi, Fernando?
- Fui.
- Sabe, eu também fui. Olhei para
você de longe, por um tempo. Você me parecia bem. Fiquei contente. Olhei por mais
um tempo e fui embora, depois da terceira música. Não consegui, eu acho.
- Por que nós, Julieta?
- Eu acho que foi nosso tempo
verbal, Fernando. Nós fomos o pretérito do futuro. Não há chance para o pretérito
do futuro. Já nasce acabado.
- Eu vi que você foi. Acho que
também não consegui. Somos covardes, eu acho.
Adoro os colóquios!!
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