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- É. Ele me disse que cruzou com você. Novo corte de cabelo?
- Pois é. Você sabe, necessito mudar, às vezes.
- Eu sei, Julieta.
- Olha, me desculpe telefonar assim. Não esperava sentir saudades. Faz meses, afinal.
- Vejo que você segue conservando sua sinceridade.
- Não me refiro a saudades de você, Fernando. Isso, eu já sentia antes de partir. Eu já sentia quando éramos sozinhos em dois.
- Então, do quê?
- Sinto saudades de sentir saudades. É melhor que caminhar sozinha, concordo com Gonzaguinha. Foi isso, eu acho. Quando se acostuma com a saudade, se caminha um pouco sozinho, mesmo.
- Você sempre foi boa nisso, não se preocupe.
- Isso te incomodava, Fernando? Minha capacidade de ser sozinha?
- Eu tinha medo, Julieta. Medo porque você não precisava ser dois, você queria. Querer é tão efêmero. O efêmero sempre desperta medo, eu acho.
- Você, se pudesse, faria de tudo na sua vida uma previdência. Colocava nosso amor no INSS. Para quando ele se aposentasse. Se pudesse, Fernando, você dava ao nosso amor um cargo público. Você quer garantir o que não se pode carimbar. A gente precisa tatear o escuro, às vezes.
- E quem paga as contas quando é demitido?
Essa Julieta é uma mala!!!
ResponderExcluirPor isso que o cara não aguentou...
Zilt!!
hahahaha!
ResponderExcluirVocê não sabe de toda a história, largue de ser implicante!