Parte III
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- Estou cansada, sabe.
- Claro que você está cansada, Julieta. Já falei, você faz coisa demais. Quer abraçar o mundo à base de sanduíche. Depois, fica doente.
- Não, Fernando. Estou cansada.
- De mim?
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- Tem de haver um motivo. Ou algo, sempre há um algo.
- É a periferia, Fernando. Isso é o que sobrou, é a periferia de nós mesmos. É o que ficou ao redor do que se desenrolou, é a sobra que transborda para os lados. É natural.
- Natural? Natural, Julieta, é o sol nascer e se pôr todos os dias. É como você sempre dorme de cabelos molhados e acorda resfriada. Não traga para nós sua fortaleza de falso desprendimento.
- É fortaleza feita de areia. Cai quando a maré chega.
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