Parte I
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- Não sei. Quero dizer, sei, eu acho. Eu gosto de caqui. A fruta, sabe. Mas não quando está molengo.
- É isso? É isso que você tem a dizer?
- Você me perguntou o que me faria feliz, eu respondi. Caqui. Sinto prazer em saborear um bom caqui.
- Sabe, não dá. Aliás, Julieta, nunca deu. Você não sabe conversar. Sabe o que eu acho? Que você se considera muito melhor do que todos a seu redor. Inclusive eu. Deus te livre de participar de debates banais. Inclusive esse. Então dá nisso. Não leva a sério o que a gente fala.
- O que você quer que eu diga? O que você sempre quis que eu dissesse, então? Que você me faz, ou deveria ter-me feito feliz? Você quer que eu te culpe, Fernando? Às vezes eu acho que é isso.
- Seria melhor do que essa sua indiferença cortante.
- Você sabe que não vejo sentido na agonia. Na agonia dos que amaram e agonizam em nome disso. Não vejo sentido na agonia dos que amam e agonizam em nome disso. Não vejo sentido, Fernando. Não sou para agonizar.
- Olha, Julieta, eu não sei para o quê você é.
- Nem eu.
Engraçado e profundo ao mesmo tempo...
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