...serão os últimos. Nada da falácia de que serão os primeiros. Serão o que são. E assim se faz. A questão é que ser o último não necessariamente consiste em algo ruim. É um algo. Assim como tantos algos pela vida.
Os últimos, por conceito formal, são os que vêm depois de todos, da maioria. Talvez por virem mais devagar, talvez por fazerem mais escalas pelo caminho. Talvez eles parem para bater mais fotografias pela vida. Ver mais antes de chegar lá. O conceito implica, ainda, em chegarem. Seja lá de qual maneira for.
Os últimos talvez sejam desajeitados para viver, como se dizia o Mauro de Fernando Sabino. Talvez não tenham o traquejo da rapidez de vida, subindo os degraus, ao invés de seguirem os atalhos das rampas. Talvez eles não se importem, pois, até onde eles têm conhecimento, nunca deixaram de pousar em seu destino, quase sempre sozinhos, pois a maioria já havia chegado há mais. Chegando lá, eles se divertem ao olhar em volta e vislumbrar o panorama.
Os últimos muitas vezes têm pouca credibilidade perante todos. Sempre se indaga se chegarão, de fato, ou mudarão sua rota na metade do caminho. Últimos são famosos por mudarem de idéia com freqüência. Diz-se ser esse o motivo de tanta demora. Eles, por vezes, discordam. Mas sabem ser em vão.
Por fim – para não dizer ‘por último’ – , os últimos são agraciados com a fertilidade de mais experiências. Carregam suas demoradas andanças nas costas em suas sacolas de retalhos. Podem até confeccionar uma colcha.
Despeço-me, agora, pois o pessoal ali à frente chegou faz tempo.
Despeço-me, agora, pois o pessoal ali à frente chegou faz tempo.
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