domingo, 2 de janeiro de 2011

novo de novo

Não sou afeita a clichês, mas há de se convir que, excetuando o senhor exibido na matéria do telejornal habitante do interior do sertão que não sabe em que ano nos encontramos – ainda não consegui definir se acho ou não o fato triste -, não se pode colocar-se a parte de determinados ritos sociais. Não poderia, então, deixar de manifestar-me quanto à passagem de Ano. Alguns pensam ser apenas mais um dia após o outro, mais um nascer e pôr-de-sol. A massa, porém, é uníssona quanto à importância da data.

Eu, por minha vez, aprecio ciclos e suas representatividades. Rendo-me à delícia que é planejar, desejar e, por fim, esperar – no sentido de exercer a esperança. Que mal há, penso.

Pois bem. Aos desejos – não me aterei ao mecanismo dos planos, são exatos demais para esta divagação. Desejos enquadram-se na categoria do tudo-pode-ser. A gente deseja o que quiser, por nossa própria conta e risco. Lá fui eu. É evidente que, quando damos início à elaboração de um desejo, não começamos com pouco. Começa-se desejando o grandioso. Menciono, ainda, a freqüente ausência de nexo com nosso real contexto. Neste exato momento do nascimento do desejo, lembro-me de um aforismo de Nietszche sobre felicidade – sua obra Humano, Demasiado Humano, em minha opinião, é uma grande auto-ajuda. Em outras palavras, o pensador acreditava ser a felicidade não um resultado de grande arroubo desencadeador, mas de pequenos e recorrentes momentos positivos que, ao agregarem-se à seqüência de experiências que carinhosamente apelidamos de vida, mantém-nos felizes. Isto constituiria a verdadeira felicidade.

Calcada no pensamento dividido conosco por Nietszche, atentei para meu desejo, afinal.  Decidi por deixar de lado a agraciação com o Pulitzer e o acontecimento de uma cena a la  Casablanca. Ou arroubos equivalentes ao gênero. Ao invés disso, desejei a maior quantidade permitida de recorrentes momentos positivos que pudessem ser coletados e depositados na cestinha da bicicleta. Assim, a gente carrega junto nas andanças. Grandes arroubos não caberiam e ficariam pelo caminho.

Um Bom Ano. 

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