quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

dois minutos

A saudade ontem passou por sua porta. Em dois minutos, passou pelos canteiros da calçada, parou no sinal vermelho. Observou pedestres, temeu pelas nuvens negras anunciando chuva. Abriu as janelas para sentir o vento lhe bater, acompanhou a tarde descer, o dia acabar. A saudade parou na curva da esquina, sem querer continuar. Pensou, cantou, dançou por dentro. Girou nos cruzamentos, rodopiou no meio fio. Ouviu risadas ao fundo, e, ao longe, lembrou que estava lá. A saudade não sabia o que procurar, a saudade não queria achar. Um portão, um telhado, qual andar. Viu crianças de mãos dadas, em fila indiana, lembrou de ser saudade. Não quis parar para visita, hesitou em adentrar. Um pingo enfim desce das nuvens negro pixe, seguido de outros. A saudade brinca de fugir e deixar-se pegar. Abandona-se ao caminho, quer ver. Por fim, a saudade passou pela sua porta. Passa e faz seu caminho de volta. Ao fim de dois minutos.

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