Acompanhamos na semana passada o drama vivido por um alpinista brasileiro e sua companheira de escalada. Ao final, ele acabou repousando aonde sempre quis estar. Estranho desígnio.
Além do óbvio sentimento de tristeza - somada à admiração - ao acompanhar as notícias, meu olhar derivou por alguns minutos, experimentando outro sentimento. O medo.
Tive medo do que vivo - ou não.
Me fascina o impulso de vida destas pessoas. Que literalmente vivem para o que fazem-lhe felizes, apesar de tantas pequenezas na vida, que muitas vezes transformamos em elefantes parrudos. Tive medo, então, de estar perdendo esse fascinante impulso. Medo de não reconhecê-lo, de não saber o que é. Medo de flanar pela vida impulsionada por nada além da cronologia do calendário. Medo, principalmente, de ter medo de acreditar. Nada mais triste que a descrença que freia, poda e faz acabar antes do fim.
Pretendo deixar o fim chegar até mim. Sem pistas de frio ou quente, sem ir ao seu encontro. Fim que é fim acha a gente, e não o contrário.
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