sábado, 25 de dezembro de 2010

entretanto

Agora o sol baixou um pouco, o calor continua. Em dias de sol e muito calor, o pensamento muda. Assim como nos dias cinzentos. Faz toda a diferença. Engraçado isso, porque sempre me disseram que a vida é uma só. Talvez não seja. Talvez seja zoom, seja prisma. Talvez seja da gente essa coisa de não ser um só. Talvez. Pensei tanto hoje, e tudo diferente. Com os primeiros raios, os primeiros porém e entretanto. As primeiras esperanças trazidas pelo não necessariamente e pelo quem sabe. Deve ser efeito da luz natural. Entorpece a gente, faz pensar nesse monte de possibilidades, parece que a gente enxerga um adiante mais longe, que vai surgindo sempre mais. Claro que, como todo entorpecimento, passa. Mas fica a sementinha. Será que não pode ser?

A noitinha agora aquieta, faz o pensamento menos eufórico. Até chegarem as estrelas, claro. Bagunça tudo novamente, afinal, nada mais entorpecente do que um céu estrelado. Nada faz a gente enxergar mais distante. Mas é diferente. A gente pensa mais sereno. Pensa mais devagar. Ficamos um pouco mais próximos da unidade, embora eu não acredite que um dia chegaremos a ela totalmente. Fico contente.

Li em algum lugar hoje – a memória me trai e não me permite recordar a fonte – que nós escrevemos o que irá acontecer. Assim literalmente, mesmo. O quão literal fizer sentido, evidentemente; nada nunca é inteiramente literal. Este dizer me remeteu à questão da multiplicidade de nós em nós mesmos, do quanto pode ser em uma coisa só.
Acho fascinante o fato de que nada é absoluto, a possibilidade de adotarmos um prisma, uma face da situação e assim seguirmos. E, é claro, mudá-la a qualquer momento, dependendo do sol ou chuva.

Ao final de tantos pensamentos, sóis, calores e estrelas brancas postadas no céu negro, chego à conclusão de ser inútil a tentativa de cercear o próprio pensamento a fim de encerrar-se em um só. Ao primeiro sinal de raio de luz, ele cresce e obriga a gente a escrever os próximos capítulos. 

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