sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Num dia - que eles não chamariam de belo - ela disse:

"- Aquele ali também. É seu."

"- O Dylan não era seu?"

"- Não. Você comprou na liquidação, lembra? Dois dvdês pelo preço de um. Leva."

"- Ah..."

"- Leva também o Salinger."

"- É seu, te dei no nosso primeiro Natal."

"- Eu sei. Leva."

"- Ok."

Silêncio.


"- E o apê novo? Tá se acostumando com Botafogo?"

"- É, não é ruim. Tem mais barulho. Faz companhia ao meu silêncio."

Silêncio.


"- Olha, não foi por não amar. A gente se amou. Não amou?"

"- Sim. Ou descuidou do resto. Tem quem diga que é a mesma coisa."

"- E agora?"

"- A gente cuida de novo."

Silêncio.


"- Promete que não descuida com mais ninguém?"
"- Prometo."
"- Ok. Não esquece o Dylan."
"- Ok."


Barulho da grade do elevador.

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