Bares, por si só, ensejam uma reflexão. "Puxar angústia", como dizia Sabino em seu Encontro Marcado. Tal poder é potencializado quando o bar é ruim. Há um poder místico em tais lugares que mantém seus frequentadores colados em suas cadeiras postergando a partida, por pior que seja o local. Mágico isso. É aí quando começam as reclamações.
"-Esse bar é uma porcaria mesmo, heim."
"-Olha como demora o garçom, vou te contar, eu mesma vou lá no freezer!"
Não demora, as reclamações quanto ao estabelecimento descambam para as lamúrias:
"-Sabe o que também é uma porcaria? Saudade. Uma droga."
No que replicam: "-Mas sabe o que é triste mesmo? A dormência. De sentimentos."
Ao final dessa explanação, pus-me a concordar. Há um momento em que o sentimento, de tão resignado, enraizado e mal realizado, torna-se dormente. Ele fica lá, naquele cantinho, como se lá fosse habitar para todo o sempre, sem querer atrapalhar - fique à vontade, você já é de casa. Aí a gente acostuma. A gente acostuma com ele despertando e indo dormir com a gente. Porque no fundo a gente sabe que se ele for embora, vai restar o espacinho dele vazio, com sua caminha, seu cobertorzinho e suas coisinhas. Por isso a gente deixa o sentimento alugar um lote de terra na gente sem data certa para ir embora. A gente o deixa lá, dormente, formigando, por todas as partes.
"-Esse bar é uma porcaria mesmo, heim."
"-Olha como demora o garçom, vou te contar, eu mesma vou lá no freezer!"
Não demora, as reclamações quanto ao estabelecimento descambam para as lamúrias:
"-Sabe o que também é uma porcaria? Saudade. Uma droga."
No que replicam: "-Mas sabe o que é triste mesmo? A dormência. De sentimentos."
Ao final dessa explanação, pus-me a concordar. Há um momento em que o sentimento, de tão resignado, enraizado e mal realizado, torna-se dormente. Ele fica lá, naquele cantinho, como se lá fosse habitar para todo o sempre, sem querer atrapalhar - fique à vontade, você já é de casa. Aí a gente acostuma. A gente acostuma com ele despertando e indo dormir com a gente. Porque no fundo a gente sabe que se ele for embora, vai restar o espacinho dele vazio, com sua caminha, seu cobertorzinho e suas coisinhas. Por isso a gente deixa o sentimento alugar um lote de terra na gente sem data certa para ir embora. A gente o deixa lá, dormente, formigando, por todas as partes.
Até que, em um belo (ou não) dia, ele decide que é hora de partir, sem aviso prévio, nada. Às vezes ele só deixa um bilhete de despedida, junta suas trouxinhas e parte, porque dizer adeus é tão difícil, afinal.
Então pára a dormência, o formigamento, aquele espacinho ocupado. Pára tudo, só ecoa um cantinho vazio.
Então, nesse momento, alguém num bar ruim profere:
"-Sabe o que também é uma porcaria? Saudade. Uma droga."
E lá continuamos, noite afora, divagando sobre saudades, dormências e garçons ruins.
Sabia!! Vc nunca perdeu a inspiração!
ResponderExcluirVc só não sabia onde a tinha deixado!
É q nem aquela piadinha infame:
"Larguei a bebida! - Só não sei onde..." Hehehehe.
Mas é sério, isso deve ser normal, principalmente depois da perda de um 'referencial'.
Qualquer um fica perdido, confuso, nessa situação.
E com vc, foi assim isso se manifestou...
Hahahahaha eu adoro essa piada!
ResponderExcluirVou fazer um Requerimento pra inspiração voltar... ;D
Sim, faça!!
ResponderExcluirSe bem q eu nunca tive boas experiências com a burocracia dos requerimentos.
Pessoalmente, prefiro coagir os responsáveis até que me atendam.
É bem mais eficiente! ;D